sábado, 17 de agosto de 2013

SILÊNCIO PERENE


Entendo perfeitamente a questão da mobilidade urbana e suas necessidades; afinal também sou usuário da malha viária da cidade. O despertar recente em relação a defesa do cocó, pode ter o dedo de partidários, oposição política, naturalistas, ambientalistas... Notamos que no jogo de interesses humanos a natureza se torna refém. Arranca! Não arranca! Sendo assim, resolvi não olhar para os antagonistas, nem para a minha necessidade urbana. Mas para aqueles seres vivos, se eles protestam para viver, não ouvimos sua voz, estamos insensíveis demais com o nosso modo de vida; somos cegos, surdos em relação a natureza que dependemos tanto. Um dia vamos notar que não era estradas, viadutos, túneis que estávamos precisando; que o progresso que nós, nos gabamos tanto, não era progresso. Destruição, desmatamento, nunca foi progresso, mas quando nascemos as coisas já caminhavam dessa forma, até entendo como é difícil a metanoia. Em suma: sou do lado de quem não pode se defender e nem tem voz de decisão alguma, sou do lado daqueles seres que em meio a gritos, acampamentos, gás lacrimogêneo, balas de borrachas e tratores, faz de alguma forma seu silêncio perene, gritar em alguns corações no meio da selva de pedra.

Erich Douglas




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